sexta-feira, 20 de novembro de 2009

black in

Foto tirada daqui

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Tratado da Liberdade Individual

Quando eu tinha uns 11 anos um professor de OSPB (matéria obrigatória na época) não cansava de repetir que a nossa liberdade termina quando a do outro começa. E acho que essa frase resume o que deve ser enquadrado em regras de convivência social. Não existe sociedade sem regras.

O que me incomoda muito é quando as pessoas julgam, reprimem, se opõe a algo que não está lhes tirando a liberdade. E que não lhes diz respeito. Tudo que é individual e não atinge o outro, deveria ser tratado como uma decisão individual. Lembrei muito desse assunto por causa do caso Geisy/uniban, pq a última coisa que vi foi a participação dela no altas horas e a maior parte das pessoas questionando a roupa. Minha vontade é que ela respondesse um sonoro foda-se, eu visto o que quiser. Uma menina chegou a dizer que ela não achava aquela roupa adequada. Foda-se. Não gosta, acha estranho, bizarro, vulgar; simples, não use. Não é da sua conta. Você pode até não querer ser amiga da Geisy, mas não pode achar que tem poderes sobre as decisões dela. Se um vestido é tão inadequado assim pq formou-se uma massa dando destaque a ela? Pq simplesmente não ignoraram? O que eles tinham a ver com o vestido dela? E, ainda que ela fosse realmente puta, qual o problema?

O mesmo vale para a homofobia. O que tanto incomoda na sexualidade dos outros? O que temos a ver com a vida dos outros? O que muda na minha vida se meu vizinho for gay? Nada. O que a Igreja tem a ver com reprodução humana, células tronco ou clonagem?? Nada. Esse tipo de evolução da ciência vai prejudicar alguém? Não. Então é isso. Se vc é religioso não faça. Se sua religião não permite o aborto e vc se sente confortável assim, não faça. Mas por favor, não obrigue todo mundo a ter a mesma opinião. O aborto é até caso para um outro post, pq engloba a lei, não é só uma repressão social, é ainda considerado um crime.

video

Outro tema que me incomoda muito é a questão do suicídio. É sim muito triste, mas se restringe aos amigos e familiares essa tristeza. A decisão de se matar não é a pior opção feita por um individuo. Uma pessoa pode escolher várias coisas muito ruins, inclusive tirar a vida do outro. Quando ela resolver se matar, é uma decisão pessoal que devemos respeitar. Podemos lamentar a falta dela. Podemos ficar tristes. E só. O que mais vejo é gente culpando o suicida. Ele não podia fazer isso comigo. Ei, ele não fez isso com você, fez com ele mesmo. Tem um filme sobre isso que me impressionou muito, se chama: A Ponte. É um documentário baseado no índice de suicídios na ponte Golden Gate. Eu até escrevi sobre ele aqui, na época. Destacando esse lance dos americanos terem tanto sentido de preservação da individualidade que os familiares pareciam apáticos. Eles se conformavam no fim da contas.

O nosso corpo é nosso. E a gente dispõe dele como bem entender. Seja exercendo nossa sexualidade, interrompendo uma gravidez, se entorpecendo, se mutilando e até se matando. É meu direito fazer o que quero comigo mesma.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

essa mulher

ela quer viver sozinha
sem a sua companhia
e você ainda quer essa mulher

ela goza com o sabonete
não precisa de você
ela goza com a mão
não precisa do seu pau

ela quer viver sozinha
sem a sua companhia
e você ainda quer essa mulher

que não sente a sua falta
e quando você chega em casa
ela não sente a sua presença
ela tem um travesseiro mais macio
do que o seu braço
e um acolchoado muito mais quente
que o seu abraço

ela quer viver sozinha
sem a sua companhia
e você ainda quer essa mulher
Arnaldo Antunes

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O que se espera de uma universidade?

“Acreditamos que o espaço universitário deve ser local de construção de conhecimento que possa contribuir para a superação dos valores, vícios e práticas machistas, e não de referendá-las.”
Trecho da Carta Aberta à Comunidade Acadêmica da UNB


Esses valores, vícios e práticas machistas não são exclusivos da uniban. Portanto, isso poderia ter acontecido, e *acontece*, em qq outra universidade. O que se deve questionar é quais são as atitudes e agentes de mudança. O protesto dos alunos da UnB é uma expressão de análise critica e liderança no sentido de exigir mudanças, inclusive em sua própria instituição. Então me impressiona que no pós caso do vestido, ninguém tenha refletido e manifestado repúdio a isso lá na uniban. Ao contrário, a direção decide expulsá-la através de um tal conselho bastante duvidoso, já que convicto que estava fazendo o certo, desistiu no outro dia por pressão da mídia. O espaço universitário deve ser inclusivo e de reflexão. E não um mero distribuidor de diplomas pagos a prestações.

* Uma atriz fez um teste indo com um vestido curto e transparente a outras universidades e veja só o que acontece.

* Pesquisando o grupo Klaus que atua na UnB e liderou o protesto, achei uma iniciativa de inclusão representativa dos gays no dia dos namorados. Os alunos faziam declarações anônimas ou não, assim como os demais estudantes heteros.

Repara que no cartaz existe uma manifestação negativa, agressiva e homofóbica. E parece q eles deixaram lá, de propósito, justamente para gerar debate sobre o comportamento das pessoas. Isso é espaço reflexivo e crítico. Pq o preconceito, sexismo, machismo e etc estão ai. O caso da uniban só expôs, ilustrou pra gente. Ah, e repara também na mensagem. O importante é ser homem. O gay estaria abdicando do direito a ser superior (homem). Nas mensagens das meninas não há protestos como: seja mulher! E o que é ser homem e ser mulher? Enfim.

Os preconceitos e exclusões estão sempre interligados e seguem uma lógica única de intolerância. O preconceito é enraizado através das sutilezas. São elas que impulsionam a massa que grita: "puta, puta". O preconceito é uma construção diária. Então precisamos desconstruir diariamente também.

A atitude de julgar a estudante a partir da roupa que trajava, sesustenta nos valores discriminatórios que integram a sociedade capitalista que vivemos, onde as representações sociais da mulher se baseiam numa ótica de subserviência masculina. Ao invés de culpabilizar a estudante pela roupa que usava, é preciso questionar o processo de mercantilização do corpo feminino, e a lógica patriarcal que define que as mulheres não podem decidir o que vestir, o que falar, o que fazer. Na raiz dessa manifestação bárbara ocorrida na UNIBAN, existem os mesmo valores machistas que levam milhares de mulheres a serem vítimas de estupros, violência física e mesmo assassinatos. A agressão contra Geyse é uma violência a todas as mulheres.” Trecho da Carta Aberta à Comunidade Acadêmica da UNB

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

sobre a nova inquisição

Nós, mulheres, crescemos aprendendo a gostar de roupas, saltos, maquiagem, cremes. Enfim, somos estimuladas o tempo inteiro a ser “enfeite” do mundo. Daí nós, efetivamente, viramos adultas e convivemos com a dicotomia: santa x puta. Para se colocar, ser ouvida, reconhecida, expor suas idéias, não pode expor o corpo. Se expõe o corpo é puta. Às vezes, o próprio cara que consome pornografia é o primeiro a achar que as mulheres expostas são putas. Não dá pra entender. Se anda toda vestida é frigida, mal comida ou lésbica (como se isso fosse xingamento). Não dá pra entender.

Quanto tempo vai levar pra vivermos no século certo? Se a contagem de tempo fosse de acordo com a mentalidade a gente não tava nem no século XX. Qual o problema de um vestido curto??? Essa história da menina da uniban já era inacreditável, mas agora com o aval da própria universidade é insustentável mesmo. Era uma ótima oportunidade de um debate, não só sobre a educação na uniban não, mas no Brasil e o machismo enraizado e etc. Daí a universidade expulsa a menina. Passa por cima da própria constituição. Que raio de estatuto é esse??? Se eu estudasse lá estaria morta de vergonha. Morta de vergonha de uma instituição que eu não gostaria que me representasse de forma alguma. Morta de vergonha de um espaço que deveria ser o universo da diversidade, do debate, da reflexão critica. Enfim. Convido todo mundo a assinar a petição on-line manifestando contrariedade à atitude da uniban. Se os alunos se comportaram como micareteiros em carnaval fora de época, não vamos deixar que a uniban celebre isso com uma inquisição fora de época também. Assinem a petição contra essa imbecilidade coletiva.

Em tempo, conversando com uns amigos descobri uma história que aconteceu a algum tempo na Estácio da Barra da Tijuca (RJ), quando um menino colocou as fotos sensuais da ex-namorada na internet e todos souberam. Parece que houve uma manifestação bem parecida com essa, todos abordando a menina e constrangendo ela. Acho que a direção nem tomou conhecimento. E um outro caso nesta mesma universidade, em outra unidade, fizeram um abaixo assinado para expulsar duas namoradas alegando que elas incomodavam os demais com o namoro delas. Elas foram chamadas a conversar com o reitor para que pudessem se colocar sobre o ocorrido e nunca foram expulsas. O que a uniban fez é inaceitável.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

“A visão do Brasil que está em Tristes Trópicos esquentou meu coração"
Caetano Veloso

Há dois anos eu poderia dizer que nunca tive uma aula sequer de antropologia. Li algumas coisas por conta própria. E interpretação idem. O texto mais marcante foi Raça e História do Lévi-Strauss.

A professora era uma senhora de uns 80 anos. Uma figura. Que me ensinou muito de um monte de coisas que eu achava que já sabia. E eu vi que não sabia quase nada. Quase nada. E ela era engraçada pq, apesar de meio ranzinza, parecia mais jovem que a turma. Pq suas idéias eram muito lúcidas. E ela dizia que Lévi-Strauss era o cara vivo mais incrível que ela conhecia. E logo depois corrigia “não, não. Ele é o cara mais incrível que existe E está vivo”. Lemos DaMatta e Edgar Morin. E eu, de novo, Raça e História. Daí li Estruturas Elementares do Parentesco e fiquei apaixonada por ele. E ia (vou) começar Tristes Trópicos.

E eu to me sentindo estranha. Pq achei que ele não fosse morrer nunca. Assim, que nem criança acha, sabe como?

terça-feira, 3 de novembro de 2009

o que tá rolando: comunicação

Seminário Internacional: Comunicação e Cotidiano Trivial ao Virtual
Dias 06 e 09 de Novembro

O Seminário pretende debater as repercussões, tanto em nível filosófico quanto sociocultural, das mudanças que as tecnologias de comunicação provocam na cultura e na sociedade contemporâneas. Transformações estas que estão entrelaçadas com os imaginários em circulação.

O evento parece que vai ser bem legal, principalmente pq na abertura estarão Michel Maffesoli e Muniz Sodré lá na Biblioteca Nacional - RJ. Vale muito a pena. Mais informações e a programação completa aqui.

Outra coisa legal será a última palestra de jornalismo literário amanhã no CCBB-RJ. O tema é: A Mídia em Questão, com Luis Nassif e Sebastião Nery. Eu fui a duas palestras desse ciclo que foram bastante legais. Mais informações aqui.